terça-feira, 12 de julho de 2016

Deus os abandonou às paixões infames

Romanos 1. 26 : Por isso Deus os abandonou às paixões infames [...]
Esse pedaço de versículo é riquíssimo e podemos concluir várias coisas dele. O contexto dele é amplo demais. Paulo, aos romanos, descreve a sociedade da época, mas podemos comparar a sociedade da época a de hoje.
À primeira vista podemos ser levados a concluir o abandono de Deus como algo perverso. Como pode um pai abandonar seus filhos às paixões mais infames? Muitos não enxergam o "por isso" que está relacionado a toda gama de pecados que muitos na sociedade daquela época cometeram contra si mesmos. Claro que quando pecamos ferimos a santidade de Deus. No entanto, pecamos contra nós mesmos, contra a natureza espiritual que em nós habita e luta dia e noite contra nossa carne. Ferimos a santidade de Deus quando pecamos, mas as consequência são somente sobre nós.
O abandono aqui está intimamente relacionado ao livre arbítrio dado a cada um de nós (pois não somos robôs na mão de um Deus cujos comandos obedecemos). Quando somos entregues às paixões infames damos lugar às nossas más escolhas e elas, longe da vontade boa, perfeita e agradável de Deus, nos levam a cometer toda sorte de paixões que nos afastam da glória de Deus.
Veja o que diz Romanos 1. 24 e 25: Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Mais uma vez aparece o "por isso".
Quando leio reportagens acerca de mortes as mais diversas, de pastores (falsos pastores) que abusam sexualmente de crianças e adolescentes, de famílias destruídas devido às traições extraconjugais, dentre outros casos, eu simplesmente concluo o mesmo que Paulo em Romanos 1. 21 e 22: Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.
Loucos! Trocaram a glória do Deus invisível pelas suas próprias imagens. Deixaram de servir a Deus para servirem a si mesmos, cultuarem seus próprios corpos e satisfazerem toda sorte de desejos pecaminosos (incluindo aí a pedofilia).
Muitos não querem mais falar sobre pecados, pois o pecado afasta do ser humano o prazer que lhe é inerente. Aliás, felicidade hoje é ter prazer. Enfim, muitos criminosos deram lugar aos seus prazeres e cometeram crimes. Enfim, o próprio pecado tem se tornado parâmetro para nossas leis. Então, não há como riscar a palavra "pecado" de nosso discurso. Pois quando cometemos pecado, como a pedofilia, por exemplo, estamos cometendo um crime (o inverso também é verdadeiro).
E para finalizar, Paulo mais uma vez utiliza o verbo entregar.
E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; Estando cheios de toda a iniquidade, fornicação, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; Os quais, conhecendo o juízo de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem. Romanos 1:28-32
Paz do Senhor!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Por que não gosto de dança no contexto da Igreja?

Eu queria ficar quieto, mas eis que aparece em meu canal um vídeo de dança profética. Nada contra a quem gosta, mas só acho que é um movimento que acrescenta o já conhecido misticismo que cada vez mais se fortalece dentro das igrejas pentecostais e neopentecostais do Brasil. Na verdade, sou contra qualquer tipo de dança, seja ela profética ou não. Por que não gosto da dança?

1) Porque não acredito que o movimento da dança acrescente teologicamente a igreja. Muitas vezes percebo a dança na igreja como uma forma de entretenimento e não como um avivamento (muitas pessoas crêem que se trata de uma forma de avivamento. Especialmente a dança profética que, a meu ver, é uma forma de causar um movimento).

2) Porque, geralmente, não acredito que o ministério da dança promova qualquer fundamento à fé cristã aos que estão inseridos neste tipo de ministério. Sou muito mais fã e defensor dos ministério de ensino, da palavra, da oração e da profecia bíblica. Por que? Porque a dança é mais visual que reflexiva. Ao contrário dos ministérios de ensino, da palavra, da oração e da profecia bíblica.

3) Porque a dança não nos convence do quão pecadores somos. Já disse antes que a dança é mais visual que reflexiva. Enquanto o foco do ensino, da palavra, da oração e da profecia prezam pela mensagem, a dança preza pelo movimento e pela estética. Não acredito na dança como um ministério.

4) Não é por que Miriã dançou que também devemos dançar. Todos sabemos o contexto da dança de Miriã. Foi em um contexto de adoração a Deus por terem atravessado o Mar Vermelho e Deus ter derrotado os egípcios com seus carros e cavaleiros. A adoração de Miriã, esta sim, deve ser imitada. Aliás, nem sabemos com ela dançou. Portanto, devemos imitar uma dança que nem sabemos como foi? Aliás, devemos, inclusive saber como era a dança no contexto de Miriã e a dança em nosso contexto.

5) Porque não existe uma dança genuinamente evangélica. Por isto, a dança na igreja vai copiar a dança fora dos muros da igreja. Não concordo com este tipo de cópia (não quero que entendam aqui qualquer preconceito de minha parte. Respeito qualquer dançarino deste país e do mundo - do É o tchan ao dançarino de balé do Bolshoi Ballet, mas não acredito que qualquer tipo de dança se encaixe na liturgia da igreja).

6) Porque não acredito que a dança revele à igreja o quão Majestoso é o Senhor e o quão Digno Ele é de receber louvor e adoração.

7) Porque a dança atual tem implantada na igreja mais o misticismo que o culto racional nos termos de Romanos 12. 1 e 2.

8) Porque nosso corpo (alma e espírito tbm) deve ser oferecido em sacrifício vivo, santo e agradável e agradável a Deus (esse é o culto racional). Não creio que este sacrifício possa se manifestar por meio da dança (especialmente a profética).

9) Por último, mas não menos importante, porque já tomei panada na cara de um grupo de coreografia em uma igreja. Não desejo isto pra ngm! (Esse motivo aqui é mais pessoal, ok?)

Estas opiniões são fruto de uma reflexão minha. Não quero atacar ninguém e nenhuma igreja com estas palavras.

Fiquem na Paz! Pelo amor de Deus, se for comentar pondere nas palavras.

terça-feira, 19 de maio de 2015

21 anos depois de uma inserção no Ministério de louvor da igreja


Nesse meu tempão de inserção no ministério de louvor da minha igreja já passei por inúmeras fases musicais. A primeira em que cantávamos as musicas dos pioneiros do ministério de louvor do Brasil, entre os quais destaco Adhemar de Campos e Asafe Borba (descobri mais tarde que muitas músicas eram deles).
Em uma segunda fase cantamos muitas musicas do Daniel Souza (também descobri que era ele há alguns anos quando começamos a cantar Salvo pela graça do álbum Centralidade).
Na terceira fase começamos a cantar, como na maioria das igrejas, canções do Diante do Trono. Depois vieram Toque no Altar, Casa de Davi, Ludmila Ferber, dentre outros.
Na quarta fase começamos a cantar, como muitas igrejas, as músicas do Hillsong e do Michael W. Smith.
Numa quinta fase, mais maduro e mais crítico, optei por canções que trouxessem a Bíblia pra igreja. Voltamos a cantar Daniel Souza, Adhemar e a cantar musicas não por um estilo, mas pela acurada exposição da Bíblia. Nessa fase comecei a questionar qual o melhor tipo de música pra igreja. A resposta sempre é: Músicas que trazem pra igreja os principais fundamentos da fé e que sejam Cristocêntricas. Por isso, tem sido difícil definir um repertório novo.
Descobri hoje que o novo não é a música nova, o ritmo novo, mas a mensagem nova que Deus pode trazer à igreja por intermédio de canções que não sejam novas. Daí que Grande é o Senhor, Quebra as cadeias, Poder do teu amor, Agnus Dei, Corpo e Família, Águas Purificadoras, entre outras, ainda têm uma nova mensagem nova, a despeito de serem canções mais antigas. As novas canções também podem transmitir uma nova mensagem, mas devem respeito aos compositores antigos, desbravadores musicais, muitos deles simplesmente ministros e não profissionais da música ou artistas gospel. Urge hoje uma visão mais ministerial e menos artística. Mais Cristocêntrica e menos antropocêntrica. Mais bíblica e menos poética (pois a poesia que não é bíblica é mera elocubração humana).
Creio que precisamos de um avivamento na igreja que mude nossos ministérios de louvor.
Em Cristo, Valber Ricardo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Um ano depois da última postagem a cruz ainda continua me impactando!

Estou aqui no meu sofá transformando minha falta de sono em inspiração. Além do mais, estou aqui abrindo meu coração para o que Deus tem a falar comigo. Tem dias que a falta de sono na verdade é a forma que Deus usa para tê-lo um pouco mais. Estou aqui, ouvindo Forever da Kari Jobe, não sem antes ter ouvido The same Power do Hillsong London. As duas músicas têm em comum o fato de serem Cristocêntricas (a meu ver todas as músicas, as pregações e saudações deveriam estar centradas em Cristo). Uma introdução básica para dizer que ainda me surpreendo com a cruz. Não existe mensagem mais tocante pra mim do que a cruz.
Ao longo desses longos dias sem escrever aqui no meu blog eu estudei 3 livros que falam da cruz. Depois da leitura deles nunca mais olhei para a cruz como uma pessoa normal. Como diz Don Carson, a cruz é escândalo. Provoca escândalo o quanto a cruz carrega significados os mais diversos possíveis. Como pode alguém que não salva a si mesmo para  salvar a todos? Escândalo!
Tenho alguns sonhos e às vezes me pego pensando neles, não sei se no corpo ou fora do corpo (desculpem-me pela analogia!). Um desses sonhos é entrar em uma máquina do tempo e me transportar até a cruz para colocar em prática a música do Jesus Adrián Romero "Deixa-me hoje beijar as feridas de tuas mãos e teus pés, as feridas que pecando provoquei". Todas as vezes que canto alguma música relacionada à cruz eu sinto um vazio enorme no meu coração, pois o que de fato queria fazer no momento era me transportar para o exato momento da cruz para adorar o Rei. Confesso que, por mais que meu louvor me leve pra perto de Jesus, a sensação que sinto é a de que estou longe demais para fazer o que de fato quero fazer: Beijar suas feridas que eu mesmo provoquei!
Que mensagem!
Fico pensando no poder da cruz. Não sei você, mas quando penso no poder da cruz eu sou ousado. A cruz teve o poder de mudar tudo. Mudou o passado, pois a cruz satisfez o desejo de justiça que havia em Deus desde o momento em que o diabo incitou Adão e Eva a pecarem. Cristo reatou a comunhão com o Pai. Mas também mudou o futuro, onde eu e você somos incluídos. Imaginem um evangelho sem cruz! Nossa pregação seria vã. Penso nessa mudança como um filme em minha mente. A sentença era certa! A condenação já estava selada. Porém, Ele riscou a cédula que nos era contrária, cravou-a na cruz e fez do nosso inimigo um objeto de escárnio.
Como pode algo tão vergonhoso ter sido utilizado como o símbolo máximo da vitória? A resposta é simples! Deus usa as coisas loucas desse mundo para confundir as sábias e as que não são pra confundir as que são. A cruz era a pior sentença para o pior criminoso. Não era o caso de Jesus! Pelo menos não foi crime ter se levantado contra a religiosidade judaica. Ou foi crime ter dado pães e peixes para os que o seguiam até o deserto para ouvirem sua mensagem? Ou ainda ter perdoado o pecado de muitos? Sem dúvidas estas coisas afetavam e muito à religiosidade da época, mas Ele não cometeu crime algum fazendo todas estas coisas. Cravaram-no em uma cruz! Criminoso!
Na verdade, tudo isto não foi mera obra do acaso. Isaias mesmo, cerca de 700 anos antes, já havia profetizado que Ele seria ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades. Disse também que seria castigado para nos trazer a paz. Ele não era criminoso, mas tornou-se um. Se ele não era criminoso, mas tornou-se um ao levar sobre Ele tudo de ruim que praticamos, a ficha de delitos foi extensa: roubo, homicídio, adultério, corrupção, estupro, abuso sexual, pedofilia, pornografia, mentira, sonegação de impostos, suborno, etc. Olha que ficha extensa. Está aí mais uma contradição da cruz: Aquele que não era criminoso tornou-se um para salvar os verdadeiros criminosos. Assim, a cruz era a pena de fato correta a ser aplicada! Escândalo! Ele fez isso pelo simples fato de nos amar primeiro.
A cruz mudou tudo!
Será que você poderia parar um minutinho aí e imaginar sua vida sem a cruz? Imaginou? Seria uma desgraça! Mas agora a graça está revelada por meio da cruz. Agora temos paz com Deus por meio de Cristo. Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
Faço minhas as palavras de uma ministração linda que ouvi na canção "O pior do homem, o melhor de Deus": "A cruz é o centro da história, é o ponto de partida. Ela é vergonha, mas é glória. A cruz é morte, mas é vida".
Em Cristo,
Valber Ricardo.
14 Ago 2014.

sábado, 25 de maio de 2013

Por um avivamento genuíno, santo e contínuo para a Igreja


Uma juventude avivada pelo verão, mas extremamente esfriada pelos invernos. Movimento não é avivamento. Avivamento não é estação. Avivamento é estilo contínuo de vida para a Igreja. Por um avivamento genuíno, santo e contínuo para a Igreja. Avivamento com música, dança, teatro e 20 minutos de palavra não é avivamento. Avivamento com oração, leitura da palavra, arrependimento e confissão de pecados é avivamento e não atrai multidões.

O avivamento metodista de Jhon Wesley começou com menos de 30 pessoas orando. O avivamento em Jerusalém começou com 120 pessoas orando. Os cristãos moravianos oraram mais de 100 anos, 24 horas por dia. Percebe-se, então, que avivamento é, acima de tudo oração. Vamos promover, então, programações de oração, palavra, arrependimento, confissão de pecados e evangelização?

Algumas pessoas irão perguntar: E as atrações musicais, teatrais, "dançais", dentre outros "ais" (Imagine o Ai de Deus ao ouvir esses disparates!)? Todas estratégias para atrair o "mundo". Pois é mais fácil atrair o "mundo" com modismos, do que atrair as pessoas pelo testemunho de Cristo em nós para o mundo. Não tenho mais medo de ser taxado de retrógrado, atrasado, quadrado, antiquado, velho, etc. Prefiro ser jovem (Ops... tem horas que me esqueço de ter 31 anos) na presença do Senhor do que ser jovem com coração no mundo e dentro da Igreja.

Podem acusar-me de todas essas denominações anteriores e dizer que eu digo isso de fora. Ledo engano. Já fui um jovem que, como muitos hoje, aclamava por novas estratégias de "marketing gospel". Já detonei Pastores por serem, ao meu ver, retrógrados, atrasados, quadrados, antiquados e velhos. Hoje entendo que ser retrógrado, atrasado, quadrado, antiquado e velho significa exatamente ser saudoso do céu.

Por todas estas breves questões eu espero um avivamento genuíno, santo e contínuo para a Igreja do Brasil. E que esse avivamento reflita em um louvor e adoração genuínos, com letras que nos remetam à cruz, a Cristo e à salvação, com ritmos que nos levem a almejar o céu, com palavras que nos movam ao arrependimento e a confissão de pecados, e a viver nesse mundo como peregrinos.

Paz!

Valber Ricardo dos Santos.

Cariacica, ES, Brasil.

25 de Maio de 2013.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Os mais belos hinos e poesias!

Canções expressam a subjetividade dos seus autores. Elas, como ninguém, expressam de forma simples e profunda o que se passa em nossa alma. Para cada momento de sua vida há uma canção adequada. É maravilhoso o dom de compor. A música, a melodia, a poesia, os versos, as canções, vêm do céu. Eles foram criados com o simples propósito de adorar a Deus. Infelizmente a música, a melodia, a poesia, os versos e as canções da atualidade têm perdido esse contato com a Majestade e Soberania do Autor de todas as coisas, Deus. Mas nem sempre foi assim!

A história da Igreja caminha junto com a história da música. Martinho Lutero compôs e até hoje as Igrejas cantam Castelo Forte. Os assembleianos, presbiterianos e batistas, apesar das músicas contemporâneas, ainda têm reservado espaço em seus cultos para as canções do hinário e harpa cristã. Quem nunca viu um Batista, Presbiteriano ou Batista carregando, junto com sua Bíblia, um exemplar do Hinário ou Harpa Cristã? Isso já foi mais comum que hoje. No entanto, alguns não perderam o costume, principalmente os mais antigos.

Já tive Harpa! Hoje não tenho mais o costume de carregá-la. Minha geração, exceto alguns, não conhecem e nem querem conhecer o valor das canções do Hinário ou Harpa Cristã. Quantas vezes eu vi pessoas torcendo o nariz, fazendo caras e bocas quando da exaltação, pelos mais antigos, das canções antigas. Recentemente eu postei um artigo em meu blog entitulado "Ouçam as palavras antigas". De uma certa forma, quando desdenhamos os hinos mais antigos, estamos desdenhando os conselhos dos Cristãos que vieram antes de nós.  As canções de hoje desprezaram, quase que totalmente, as palavras antigas.

Eu não admirava as canções da Harpa Cristã. Detestava quando o antigo Pastor da minha Igreja exaltava as canções da harpa. Achava que minha Igreja reservava mais espaço para as músicas da Harpa do que para as músicas que cantávamos durante o "período" de louvor. Não me lembro quando comecei a admirar as canções da Harpa. Só sei que quando percebi a grandeza das canções escritas pelos autores antigos já era tarde demais. Me tornei um amante dos belos hinos e poesias. Minhas tribulações são permeadas pelos hinos escritos em tribulação. 

Hoje entendo que os mais antigos amavam as suas canções, pois cantá-las em suas reuniões e cultos era uma forma de fazer com que estivessem mais próximos à Grandeza e Majestade de Deus. Mas as pessoas da minha geração não entendem isto. Preferem canções que mantêm Deus em seu trono, abençoando, fazendo chover, mandando fogo, quando na verdade, a maioria das canções ansiavam por um Deus que não vê a hora de nos ter perto, um Deus que quer buscar a sua Igreja, um Deus que quer salvar, perdoar pecadas. Um Deus que quer sarar as nossas enfermidades. Um Deus que quer estar conosco todos os dias até a consumação dos séculos.

O autor já dizia que "os mais belos hinos e poesias foram escritos em tribulação". Concordo com Ele! E concordo porque vivi isto. Há uma canção que nunca cantei, ensaiei ou gravei. Não tem título, mas tem uma história. Deus me deu essa canção quando da morte de um Irmão querido de nossa Igreja. Lembro-me que no Culto fúnebre em minha Igreja sentia Deus perto de mim. Meu corpo sentia a Majestade e a Grandeza de um Deus que não deixa seus filhos, que envia consolo aos desesperados, que, mesmo diante da morte, nos traz a certeza da Vida Eterna. Aquele grande dia está em minha memória. Deus me deu esta canção.

Anjos, Querubins e Serafins o adoram diante do trono.
Anjos, Querubins e Serafins o adoram diante do trono.

O Céu é o meu Lar, o Céu é o meu Lar.

É pra Lá que vou, com Meu Deus habitar!
É pra Lá que vou, Face à Face O adorar!

Cantei aquela canção. Lembro-me que chorei muito. Senti naquele momento uma confirmação do Senhor de que os mais belos hinos e poesias foram escritos em tribulação. 

A maioria das pessoas só vai entender as canções antigas quando querer o céu, ansiar ver a "Face Adorada de Jesus", quando quiser se tornar "Alvo mais que a neve". A maioria das canções antigas nos remetem a uma vida que não se vive aqui, pois "Aqui só tem tristeza". Uma das canções que mais admiro é o hino de número 36 de Justus Nelson, pois a sua linguagem figurativa é riquíssima de simbolismo e significado para a vida cristã. Que letra maravilhosa.

O Exilado

Justus H. Nelson

Da Linda Pátria estou bem longe,
Cansado estou.
Eu tenho de Jesus saudade,
Oh, quando é que eu vou?
Passarinhos, belas flores
Querem m'encantar.
São vãos terrestres esplendores,
Mas contemplo o meu lar.

Hoje não se vive, exceto alguns, como se Cristo fosse voltar agora, num abrir e fechar de olhos. Vive-se como se Cristo nem fosse mais voltar. O grande perigo para a Igreja contemporânea é acreditar que não é mais uma Exilada nesse mundo. Vivemos hoje como se fossemos parte desse mundo, quando na verdade Cristo, ao orar  pouco tempo antes de ser pego pelos romanos, diz ao Pai a seguinte canção: "Não são do mundo, como Eu do mundo não sou " (João 17.16).

Não recrimino as canções de hoje, mas acho que elas têm exaltado mais o nosso eu em detrimento de Deus. Canções e Levitas que pedem fogo, mas não deixam Cristo queimar. Pedem chuva, mas não deixam o Espírito Santo operar. Pedem um Deus de fidelidade e justiça, mas se esqueceram que Ele é Fiel e Justo para nos perdoar de todos os nossos pecados.

Uma Igreja que se esquece dos grandes feitos é uma Igreja que sequer terá história para contar e se  vangloriar. As canções antigas dos hinários e harpas remetem às escrituras. As Palavras antigas  foram preservadas ao longo de nossa caminhada pelo mundo. São Palavras que ressoam do coração do próprio Deus.

Que Deus coloque em nossos corações mais amor e paixão pelas canções dos hinários e harpas. E que Deus também nos mova a compor belos hinos e poesias que saem do coração Dele, pra Ele e por Ele.

Em Cristo Jesus Nosso Senhor,

Valber Ricardo.

Vitória, 20 de Abril de 2012.




quarta-feira, 4 de abril de 2012

Um desabafo, somente.

Me desculpem os que aderem às Campanhas do tipo "3 dias de glória para 1 ano de vitória" o que vou afirmar aqui. Não me chamem que eu não vou, nem dêem cartazes para colar na Igreja que eu congrego que eu não compactuo. E também não me convidem para Mega, Ultra ou Super Vigilião (que no aumentativo é Grande Vigília! Detesto erro de português grotesco) que também não vou e nem organizo o grupo de jovens da minha Igreja, do qual sou líder, para ir.



Tenho meus motivos!


1º) Não existe uma relação de causa e efeito entre dias de glória e ano de vitória. Pelo que me parece a glória de Deus é derramada quando Ele se agrada de nosso sacrifício. Posso ter muitos dias de glória, porém passar muitas lutas financeiras, emocionais, no trabalho no prazo de 1 ano. Tive vários dias de glória e esse ano, mas isso não me impediu de ter perdido algumas vezes. Sou mais que vencedor apesar disso. E essa fórmula tenha dias de glória e 1 ano de vitória não existe! não tem qualquer embasamento bíblico. Resumindo, não me chamem!


2º) Também não me chamem para determinadas vigílias. Não gosto delas! Não me edificam! Antigamente as Vigílias eram maravilhosas. Os irmãos oravam, davam suas saudações, o Espírito Santo operava com maravilhas, sinais e milagres e não poucas pessoas eram realmente batizadas com o Espírito Santo. Hoje esses mega eventos se tornaram palcos, onde cantores querem se apresentar mais pela projeção do que pela adoração, e pregadores se apresentam, tendo em vista os seus cachês (existem as exceções que pregam uma vez e depois nunca mais. Verdade dói e não atrai pessoas). Não me chamem também!


3º) Não convido os renomados da atualidade para pregar em congressos que coordeno, pois a maioria fala o que as pessoas querem ouvir e o que eles querem dizer. Convido aqueles que dizem a verdade. Ei, exortação também traz glória. Ano passado, no congresso de jovens do campo, determinado Pastor que pregou disse: "Não me convidam mais, pois digo a verdade!". Esse Pastor sempre prega em nossos congressos. Ele não cobra cachê, mas sempre Deus nos dá condições de semear no seu ministério. E Ele se sente sempre constrangido em receber. Sabe Por quê? Por que ele trabalha. Prega pela liberalidade em seu ministério. De graça recebeis, de graça dai. 


4º) Amigos pregadores, não se vendam! Digam a verdade! Preguem e ministrem a verdade


Às vezes me sinto mal porque minha Igreja, minha juventude e o campo onde reúno não participa desse circuito de eventos mega, super, campanhas. Me sinto mal porque nossos líderes e pregadores não estão nos palcos das campanhas, vigílias, etc. Mas me regozijo todas as vezes que amigos meus, que não estão nos cartazes como conferencistas, pastores e evangelistas, pregam a verdade e isso resulta em glória para a Igreja. Cristo me leva a sua santa presença e me faz entender o real significado da vida, que não é viver somente 3 dias de glória, mas uma vida inteira de plenitude em sua presença. Me ensina também que posso ter uma vida inteira ao lado dele e que isso é melhor que os palcos, afinal de contas "é necessário que Ele cresça e que eu diminua".



Desculpem meu desabafo! 



Paz de Cristo!